terça-feira, 28 de julho de 2015

GOVERNO DEVE ANUNCIAR NESTA TERÇA SE HAVERÁ PARCELAMENTO DE SALÁRIOS. CLIMA DURANTE A REUNIÃO DEIXOU TRANSPARECER QUE NÃO HAVERÁ REAJUSTE DOS SERVIDORES.


O Governo do Estado deve definir hoje se haverá parcelamento dos salários dos servidores públicos. Até o final desta edição, o staff do governador Jackson Barreto (PMDB) aguardava informações da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para saber se haveria recursos suficientes para o pagamento em parcela única. O governador também reuniu ontem o seu secretariado e, de acordo com informações obtidas pelo JORNAL DA CIDADE, o clima durante o encontro deixava antever que não será concedido reajuste salarial aos servidores.

Na reunião com secretários e presidentes de órgãos do Estado, na manhã de ontem, o governador Jackson Barreto destacou que Sergipe passa por um momento delicado em relação às finanças públicas e que para atravessar essa crise é preciso ainda mais austeridade nos gastos públicos. “Não somos um governo perdulário, mas como o momento é de dificuldades, a austeridade passa ser ainda mais relevante nesta travessia”, disse o governador para os auxiliares.

Ele afirmou também que, apesar das dificuldades enfrentadas pela administração estadual, vê o momento com otimismo e que é preciso continuar trabalhando em favor da sociedade.

“Estamos fazendo um governo extremamente austero. Não negligenciamos nada. Temos trabalhado com dificuldades imensas, cortando o custeio a níveis que voltam aos anos de 2010 e 2011. Estamos fazendo a nossa parte, mas não perdemos a esperança e o entusiasmo. É evidente que ficamos preocupados, porém acredito que uma das coisas que nos ajudam é continuar trabalhando e fazendo aquilo que já é planejado com mais esforço, vontade e objetivo”, ressaltou Jackson Barreto.

O governador esclareceu ainda que os recursos empregados em obras são fruto dos bancos Interamericano de Desenvolvimento (BID), Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Proinveste, ou seja, não são fontes do tesouro estadual.

“Vale ressaltar que esses recursos não podem ser aplicados na área de pagamento de pessoal. As fontes dessas receitas não nos permitem que retiremos verbas delas para a folha. “Não estamos parados e nem vamos parar”, finalizou.

Contenção

O secretário da Fazenda, Jeferson Passos, reiterou as informações do governador e comentou sobre a situação atual do Estado. “O governo tem adotado uma política de contenção de despesas. Hoje os gastos do Estado estão nos níveis de cinco anos atrás, mas as despesas de pessoal têm crescido substancialmente. O momento de dificuldades na arrecadação das receitas é nacional, não só Sergipe passa por isso. Temos tido quedas de receita e o próprio comportamento de arrecadação do ICMS do Estado está abaixo da inflação. O crescimento de 6% é menor que nossas despesas e o governo efetivamente não tem recursos disponíveis para aumentar seus gastos”.

Jeferson lembrou que o governo já atendeu reivindicações salariais e destacou o crescimento do déficit previdenciário. “Governo vem concedendo ao longo dos anos uma série de aumentos que, inclusive, superaram a variação da inflação. Entre 2008 e 2014, as despesas com a Previdência social tiveram crescimento de 182,76%, a Saúde de 62,41%, Educação de 38,61%, Segurança Pública de 110,40% e a administração de 18,18%. Estes são os cinco maiores gastos. Em 2008, o maior era da Segurança Pública. Em 2014, nosso maior custo foi com a Previdência”.

Presenças

Estiveram presentes na reunião o vice-governador, Belivaldo Chagas; os secretários de Estado de Ciência e Tecnologia, Francisco Dantas; Esporte, Adilson Júnior; Justiça, Antônio Hora; Comunicação, Sales Neto;  Fazenda, Jeferson Passos; Infraestrutura, Valmor Barbosa; Educação, Jorge Carvalho; Segurança, Mendonça Prado; Saúde, José Sobral; Planejamento, João Augusto Gama; Meio Ambiente, Olivier Chagas; Cultura, Elber Batalha; Governo, Benedito Figueiredo; Inclusão Social, Martha Leão; Agricultura, Esmeraldo Leal; procuradora-geral do Estado, Aparecida Gama; controlador-geral do Estado, Adinelson Alves; diretores presidentes da Agrese, Edvaldo Nogueira, e da Adema, Almeida Lima; comandante geral da Polícia Militar, coronel Maurício Iunes; comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Reginaldo Dória; chefe do gabinete militar, tenente-coronel Eduardo Henrique Santos; e os assessores especiais do governo, Eliane Aquino e Carlos Cauê.

Fonte:  Jornal da Cidade

MENORES SE REBELAM, FAZEM BURACO NA PAREDE E TENTAM FUGIR DA USIP.


Os adolescentes infratores que estão internados em uma das alas da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), em Aracaju, realizaram um princípio de rebelião, no final da noite dessa segunda-feira (27). Os menores em conflito com a lei fizeram um buraco na parede de um dos alojamentos e tentaram se evadir da unidade, mas foram contidos pelos agentes de medidas socioeducativas e técnicos de segurança.

A assessoria de comunicação da Fundação Renascer, gestora da Usip, informou ao F5 News que os adolescentes atiraram pedras contras os agentes na tentativa de impedir que eles agissem para contê-los, mas não conseguiram. Policiais Militares da Radiopatrulha e do Batalhão de Choque foram acionados para garantir que os menores não voltassem a se rebelar.

Nesta terça-feira (28) a direção da Fundação Renascer vai se reunir com os representantes de cada ala da Usip para dialogar e averiguar o que motivou o motim dessa segunda.

Após o princípio de rebelião, a diretoria da unidade fez a contagem dos internos. Conforme balanço da Renascer, a unidade abriga 70 adolescentes em conflito com a lei. No momento da ocorrência, oito agentes socioeducativos e dez técnicos de segurança estavam de plantão.

Essa é a segunda tentativa de fuga registrada na Usip este mês. No último dia 17 de julho, os adolescentes voltaram a gerar um tumulto e a danificar alojamentos, na tentativa de fugir.

Foto: Arquivo F5 News

Fonte:  F5 News (Will Rodrigues)

O BLOG ESPAÇO MILITAR GOSTARIA DE PARABENIZAR O JORNALISTA ADIBERTO DE SOUZA PELO TRANSCURSO DO SEU ANIVERSÁRIO.



O blog Espaço Militar gostaria de parabenizar o jornalista Adiberto de Souza, que possui um blog no portal Infonet e no site Faxaju, por completar mais um ano de vida nesta terça, dia 28, rogando a Deus que o abençoe cada vez mais, dando-lhe muita paz, saúde, prosperidade e alegria, ao lado dos seus familiares e amigos.

Prestamos esta singela homenagem ao amigo.

Como é bom compartilhar momentos especiais com uma pessoa amiga. Alguns dias são mais alegres, outros nem tanto, mas os verdadeiros amigos sempre estão ao nosso lado.

Hoje é um desses dias felizes, e o sol nasceu ainda mais radiante para saudar você pelo seu aniversário.

Se pudéssemos lhe presentear da melhor forma, o presente seria que todos os seus maiores sonhos se realizem.

Você merece tudo que há de melhor, pela grande pessoa que é.

Mais uma vez, feliz aniversário! Muitos e muitos anos de felicidade para você.

CUMPRI MINHA MISSÃO DE CIDADÃO, DIZ CORONEL QUE DENUNCIOU O IRMÃO.


O suspeito de ter atirado e matado um homem em uma estação do metrô do Rio de Janeiro na sexta-feira passada foi denunciado pelo próprio irmão à Divisão de Homicídios. Coronel da Polícia Militar, Camelo, 53 anos, reconheceu o irmão, Edvardo Camelo da Costa, 46, nas imagens das câmeras de segurança divulgadas pela polícia. A vítima do crime foi o auxiliar de serviços gerais Alexandre de Oliveira, 47 anos, assassinado pelo irmão do oficial da Polícia Militar.

Preso em 2006, o autor do crime não via o irmão policial há 20 anos. O reencontro aconteceu quando ele deixou o presídio, em março deste ano, beneficiado pela progressão de sua pena para o regime aberto. Sem emprego e sem-teto, o coronel Camelo foi resgatar o irmão na favela barreira do Vasco e lhe ofereceu trabalho.

"Ele começou a trabalhar na minha empresa de embalagens em Niterói. Dei casa mobiliada, roupa e comida. Na sexta-feira, ele saiu de manhã dizendo que ia procurar outro emprego, Chegou a me ligar às 16h, dizendo que não retornaria, porque ia trabalhar como entregador de pizza, pilotando uma moto. Mas, àquela altura, já tinha matado um inocente", desabafou o coronel em entrevista ao jornal O Globo. 

No depoimento que deu à Divisão de Homicídios, o coronel Camelo revelou detalhes das dez passagens pela polícia do irmão. Agora, o ladrão acusado de matar o auxiliar de serviços gerais está foragido. A prisão temporária de Edvardo foi expedida pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, da 16ª Vara Criminal do Rio.

"Dizer que ele não teve oportunidade é mentira. Eu o ajudei. Somos irmãos do mesmo pai e da mesma mãe. É lamentável que ele tenha tirado a vida de uma pessoa de bem de uma forma tão estúpida", desabafou. Segundo ele, o desejo agora é ver o irmão preso "porque ele é um mal pra sociedade".

Fonte:  SOS PMERJ

SÍLVIO DA USINA: PM ENROLADO ATÉ OS DENTES POR RECEBER PROPINA.


Caminha para o fim o inquérito policial sobre a Usina Campo Lindo, localizada no município de Nossa Senhora das Dores, em Sergipe.

Fontes da polícia informam que que o inquérito presidido pela delegada Danielle Garcia, da Deotap - Delegacia Especializada em Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública -, pode ser encaminhado para a Justiça até a próxima segunda-feira.

Além do empresário Silvio Manoel Lapa Miglio, um policial militar está enrolado até os dentes, segundo as investigações.

O PM, cujo nome não foi liberado para a imprensa, teria recebido propina para garantir a segurança da usina.

Fontes da polícia dizem que há conversas gravadas, interceptadas com autorização da Justiça, em que o PM cobra o pagamento de "mensalidade", que teria sido dividida com outros militares.

Silvio Miglio ficou mais conhecido em Sergipe como "Silvio da Usina" e tinha muito prestígio na Polícia Militar. Sem nunca ter movido um prego por uma barra de sabão na história da corporação, recebeu a Medalha Tiradentes.

Fonte:  NE Notícias

BANDIDOS TENTAM EXPLODIR AGÊNCIA DA CAIXA NO MUNICÍPIO DE ITAPORANGA D`AJUDA.

Mais uma agência bancária no interior do estado foi invadida e os bandidos tentaram explodir caixas eletrônicos no interior do estado. Desta vez, os marginais não conseguiram levar o dinheiro.

Na madrugada desta terça-feira (28), quatro marginais fortemente armados invadiram a Caixa Econômica Federal (CEF) no município de Itaporanga D`Ajuda. As primeiras informações são de que os quatro marginais chegaram à agencia por volta de 01:40h de hoje e instalaram as dinamites nos caixas eletrônicos porém o artefato não explodiu.

Por volta das 5 horas, várias viaturas das policias Civil, militar e Federal foram até o local e sob a responsabilidade da PF, agentes tentam desativar o artefato que não explodiu. Por ser uma agencia da Caixa Econômica, a policia federal é responsável pelas investigações.

Prisão – Na última quinta-feira (23), a policia sergipana conseguiu tirar de circulação uma quadrilha que vinha agindo no interior do estado. Foram presos seis homens que confirmaram a participação nas explosões dos caixas.

Fonte:  Faxaju (Munir Darrage)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

ESTADO DE SÃO PAULO FEZ ACORDO COM PCC PARA CESSAR ATAQUES DE 2006.

Segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, reunião entre membros do governo estadual e Marcola foi feita dentro do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes


Representantes da cúpula do governo estadual fizeram um acordo com o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, para pôr fim à onda de ataques da facção criminosa, em maio de 2006. O depoimento foi obtido com exclusividade pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e publicado na edição desta segunda-feira (27).

Segundo informações conseguidas pelo periódico, a reunião foi feita dentro do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. A declaração é do delegado José Luiz Ramos Cavalcanti, um dos um dos escolhidos pelo governo para participar do encontro em 2006 e que falou sobre o tema durante depoimento em processo judicial que investigou advogadas supostamente ligadas ao crime organizado. 

Segundo as informações divulgadas pelo jornal, a proposta do crime organizado foi levada pela advogada Iracema Vasciaveo, então presidente da ONG Nova Ordem, que defendia o direito dos presos e, na época, representava o PCC: se os responsáveis pelo comando dos atentados nas ruas fossem informados de que Marcola estava bem fisicamente, que não havia sido torturado por policiais e que os presos amotinados não seriam agredidos pela Polícia Militar, os ataques seriam encerrados.

O recado deveria ser dado pelo próprio chefe do PCC. O papel de Iracema era convencer Marcola a aceitar a ideia.

A cúpula das secretarias de Segurança Pública e da Administração Penitenciária, cujos chefes na época eram Saulo de Castro Abreu Filho e Nagashi Furukawa, respectivamente, aceitou a ideia da advogada. O então governador, Claudio Lembo, autorizou o encontro.

Relembre o ataque do PCC

Na noite do dia 12 de maio, integrantes da organização criminosa deram início ao maior atentado contra as forças de segurança pública do Estado da história. Delegacias, carros e bases da Polícia Militar, Polícia Civil e metropolitana e até o Corpo de Bombeiros foram atacados. No dia seguinte, a onda de ataques foi intensificada e ocorreram atentados no litoral e interior de São Paulo.

Até o dia 15 de maio, foram mais de 200 ataques que deixaram cerca de 90 mortos. Neste dia, a organização determina o fim dos ataques após ter realizado atentados menores contra fóruns, ônibus circulares e agências bancárias. No entanto, uma série de boatos, incluindo um possível toque de recolher, instaurou o medo na população do Estado, que ficou mergulhado em horas de caos.

Com temor de ataques a alvos civis, 40% das escolas e Universidades foram fechadas. Parte do comércio e repartições públicas também fecharam suas portas.

Em seu horário de maior movimento, a cidade de São Paulo ficou deserta. O transporte público parou de circular durante a tarde deixando mais de 5 milhões de pessoas a pé. Um terço da frota de ônibus ficou na garagem depois de mais de 90 veículos terem sido incendiados em todo o Estado. Uma ameaça de bomba chegou a fechar o Aeroporto de Congonhas.

Fonte:  IG/Último Segundo

GOVERNO PODE CONFIRMAR NESTA TERÇA PARCELAMENTO DE SALÁRIOS.


O governo está evitando confirmar o parcelamento dos salários de julho para os servidores, mas sabe que dificilmente ocorrerá o contrário.

Na Secretaria da Fazenda, o que se comenta é que é cada vez  mais grave a crise financeira do Estado.

Há quem diga que, se confirmado para julho, o parcelamento também ocorrerá em alguns meses seguintes.

Tentando manter a esperança de pagar dentro do mês, o governo informa que só pode ter uma posição exata da situação na próxima segunda-feira.

NE Notícias  apurou que a perspectiva, no governo, é que, na terça, seja confirmado o pagamento parcelado de salários, com a primeira parcela sendo paga para quem ganha até R$ 1.800, ficando o restante para quem recebe acima desse valor, previsto para o dia 11 de agosto.

Fonte:  NE Notícias

E O REAJUSTE?


Presidentes de sindicatos que representam os servidores estaduais serão recebidos hoje pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Mendonça. Vão pedir o apoio do magistrado para a campanha em favor do reajuste salarial da categoria. Os sindicalistas já admitem a possibilidade de uma greve geral no próximo mês, caso o Executivo insiste em não conceder o aumento reivindicado. O encontro com o presidente do TJ está marcado para as 11h desta segunda-feira.

Fonte:  Blog do jornalista Adiberto de Souza

VIOLÊNCIA NOTURNA.

Com a Polícia preferindo trabalhar cada vez mais

Com a Polícia preferindo trabalhar cada vez mais durante o dia, os criminosos estão aproveitando a calada da noite para aumentar os ataques aos cidadãos. Enquanto no período noturno o Estado disponibiliza para as vítimas da violência apenas a delegacia plantonista, a bandidagem se espalha pelo centro e periferia de Aracaju para assaltar, arrombar e roubar pessoas indefesas no deslocamento destas para o trabalho ou a escola. Vítimas em potencial da bandidagem, motoristas e cobradores de ônibus vivem pedindo socorro à Secretaria da Segurança Pública, pois não suportam mais serem atacados. Segundo o sindicato da categoria, ocorrem, em média, na Grande Aracaju 3,3 assaltos a ônibus todos os dias. Esta é a maior demonstração de como a Polícia tem sido impotente para conter a violência, deixando a sociedade refém dos criminosos. Uma lástima!

Fonte:  Blog do jornalista Adiberto de Souza

JACKSON PODE RETIRAR PELOTÃO DE CAATINGA DO POVOADO VACA SERRADA.


No ano passado, em plena campanha eleitoral, o governador Jackson Barreto, ao realizar um ato no povoado Lagoa Redonda, em Porto da Folha, no Alto Sertão, foi abordado por dezenas de pessoas que pediram para não retirar o pelotão da Caatinga, do povoado Vaca Serrada, em Poço Redondo.

Posição estratégia

O pelotão fica numa posição estratégica e agora estão falando que ele pode ser transferido para Canindé, um já existe um pelotão da PM. O governador não deve permitir a mudança, pelo contrário deve pedir ao comando da PM que o pelotão faça também blitz permanente no local, já que é passagem de quem vem de Niterói, Alagoas.

Fonte:  Blog do jornalista Cláudio Nunes

Nota do blog:  Enquanto isso os policiais militares do PEPAC estão labutando num prédio no povoado Vaca Serrada totalmente insalubre e sem condições de trabalho, conforme já fora denunciado neste espaço, porém nenhuma providência até agora foi tomada.  Importante lembrar que já foram enviados ofícios ao Secretário de Segurança e nenhuma resposta foi dada, onde o Promotor de Justiça da Comarca de Nossa Senhora da Glória, Dr. Alex Maia, conseguiu um local totalmente equipado para o PEPAC, solicitando a marcação de uma audiência para tentar viabilizar uma possível transferência, mas infelizmente o Secretário Mendonça Prado não deu qualquer resposta, inclusive já foi mantido contato telefônico com o assessor da SSP, Sérgio Freire, que ficou de dar uma resposta acerca da audiência, mas não se obteve êxito.

domingo, 26 de julho de 2015

O BLOG ESPAÇO MILITAR PARABENIZA O CAPITÃO JORGE CIRILO PELO SEU ANIVERSÁRIO.



O blog Espaço Militar parabeniza o Capitão Jorge Cirilo por completar mais um ano de vida neste domingo, dia 26, rogando a Deus que o abençoe cada vez mais, dando-lhe muita paz, saúde, prosperidade e alegria, ao lado dos seus familiares e amigos.

Prestamos esta singela homenagem ao amigo.

Felicidades para você, por este dia tão especial que é o seu aniversário.

Parabéns, que possa ter muitos anos de vida, abençoados e felizes, e que estes dias futuros sejam todos de harmonia, paz e desejos realizados.

Que seu coração, esteja sempre em festa, porque você é um ser de luz.

Desejamos um feliz aniversário!

A MORTE DE POLICIAIS NÃO É O PLANO DE DEUS.


Os planos de Deus
Chega! Basta! Até quando? São as reações que surgem a cada policial morto.
Só isso? Sim, é só. Um dia depois já foi esquecido.

Duas forças antagônicas se digladiam, uma do bem outra do mal. Mas para que cada uma delas se materialize, precisa de instrumentos; precisa de pessoas do bem e do mal.
O herói tombado é sempre a força do bem que foi abatido pelo mal que tem seus instrumentos de ação. Difícil não o identificar, ele está à mostra, não se esconde.

Mas como impedir ação do mal se a força do bem não tem instrumento que o combata? 
O instrumento existe, somos nós mesmos, o Policial Militar. Somos dezenas de milhares de homens e mulheres expostos à ação do mal. Mal este que ceifa centenas de vidas da Corporação a cada ano.
Procuram desestabilizar a segurança do Rio de Janeiro, faz parte do projeto deles para uma futura disputa eleitoral pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, pelo cofre do Estado. Nada mais desestabilizador que matar dois policiais por semana, não acham. O cidadão comum entra em pânico. 

Um projeto de UPP que ainda tem bons olhos da população é melhor ainda, então é todo dia tiro em cima do PM.
A PMERJ entrou nas comunidades com a finalidade de pacificação e ficou só, o social não veio na retaguarda. Os milhares de “dimenó” que contribuíam financeiramente no “sustento” e ostentação da família fora dispensados, a PM usada na segurança contra ataques rivais.
Serviço de inteligência? Este precisa urgente de um curso intensivo, pois os traficantes se armam e soldados são recrutados, o armamento reforçado com muitos fuzis AK-47 novos, dá pra perceber. Até AK com  emblema do exercito Venezuelano já foi apreendido.
Mas o PM ainda como boi seguindo para o abate, calmo e passivo.

Dizem que não podem se manifestar. Isso é comodismo!

A MANIFESTAÇÃO DA OPINIÃO DOS MILITARES"
Caros amigos
Os militares brasileiros não são cidadãos de segunda classe, sem direito a ter opinião, como pensa a grande maioria dos intelectuais orgânicos a serviço da construção do pensamento hegemônico.
Não é correto ou justo negar o direito de opinião a toda uma classe de servidores do Estado, comprometida, por dever de ofício, com a defesa da pátria, sua liberdade e sua soberania!
As decisões dos Sargentos, dos Tenentes, dos Capitães, dos Coronéis ou dos Generais não devem ser contestadas pelos subordinados, o que não os exime de terem e de poderem emitir suas opiniões sobre a decisão que, mesmo considerando equivocada, quando correta, cumprirão, por força do que chamam de “disciplina intelectual”!
Entre os soldados, tanto quanto cumprir pronta e corretamente uma ordem dada, é obrigação ter opiniões e pareceres com que contribuir para a tomada de decisão do Chefe, bem como é obrigação alertá-lo para as possíveis consequências que dela poderão surgir.
“Ao longo da carreira, muitos militares em qualquer nível hierárquico, diante de situações extremas no âmbito interno da instituição ou da organização militar onde servem, questionam ordens que firam princípios legais, morais ou éticos, defendem os subordinados de injustiças e opinam com franqueza no sentido de convencer um comandante a não tomar decisões que possam trazer consequências significativamente danosas à organização militar. Quando assim procedem, assumem riscos profissionais” (Gen. Bda. Luiz Eduardo Rocha Paiva)
As Forças Armadas, no Brasil, não são um poder autônomo, nunca foram nem pretendem ser, assim, o dever de obediência às ordens corretas, também neste nível, não lhes exclui o direito e o dever de opinar, como instituições, nos seus canais de comando.
No exercício de seus cargos ou, individualmente, investidos de seus postos e graduações, os militares não podem fazer ou participar de manifestações políticas, como também não é lícita a sua filiação a partidos políticos.
Por outro lado, fora dos quarteis, despidos da farda e de suas funções, apenas como cidadãos brasileiros, com direito a voto e, portanto, à participação na vida pública, podem dizer, não proclamar*, o que pensam e sentem e integrar-se ordeira e discretamente às manifestações da “vida cidadã”, juntando-se aos seus compatriotas, sem outros vínculos além do patriotismo, dos ideais e dos legítimos anseios de quem tem o Brasil no coração.
A emissão da opinião institucional dos militares é uma prática sadia, democrática e republicana, assim como o exercício ajuizado, sóbrio e sensato da cidadania é um direito que não pode ser negado ao cidadão-soldado.
É o que penso, manifesto com lealdade e sinceridade e julgo estar correto!

Gen Bda Paulo Chagas


Boi de piranha da política não, acorda PM!

Seja o instrumento do bem, um instrumento da vontade de Deus. Nada acontece se não houver vontade, ação, decisão.

O abate de policiais não está nos planos de Deus, é o plano do mal.

Fonte:  rvchudo

POR QUE VOCÊ DEVE ESTAR ATENTO À PEC 89/2015.

PEC 89/2015: “Altera a Constituição Federal para dispor sobre a reforma do sistema de persecução penal, e dá outras providências”

Existem várias iniciativas tramitando na Congresso Nacional com intenções de reestruturar o sistema de Segurança Pública brasileiro, através de Propostas de Emenda Constitucional (PEC). A maioria delas esbarra em resistências corporativas, pois mexem com interesses específicos das várias condições profissionais vigentes nas polícias brasileiras: guardas municipais, praças, delegados, agentes, peritos etc.

A novidade é que uma PEC bastante conciliadora está tramitando na Câmara dos Deputados, satisfazendo o desejo da maioria desses segmentos. É a Proposta de Emenda Constitucional nº 89/2015, de autoria do Deputado Federal Hugo Leal (PROS-RJ). Veja alguns pontos de mudança que o projeto propõe:

Ministério Público

A PEC formaliza práticas investigativas por parte do Ministério Público, que poderá requisitar diligências de natureza criminal aos órgãos policiais competentes e realizá-las diretamente, nas hipóteses previstas em lei, indicando os fundamentos jurídicos de suas manifestações, sob controle do Poder Judiciário.

Polícia Federal

Talvez a única novidade na PEC que fere interesses corporativos se refere à Polícia Federal, pois unifica a carreira da instituição, algo que sofre bastante resistência por parte dos delegados.

Polícias Militares

As PMs se tornam de ciclo completo, passando a realizar também apuração de infrações penais. O detalhamento desse trabalho, e outras mudanças, poderão ocorrer via Constituição Estadual.

Polícias Civis

Passarão a atuar com a preservação da ordem pública e o policiamento ostensivo, passando também a ter ciclo completo. Aqui há um detalhe importante: os atuais delegados passarão a ser juízes de instrução (detalhamos a seguir o que serão os juizados de instrução).

A PEC diz que ficam desmembradas as funções de natureza jurídica e de natureza policial do cargo de delegado de polícia, cujos integrantes deverão optar, em determinado prazo, entre o novo cargo criado de juiz de instrução e a permanência no órgão policial de origem, em carreira estritamente policial, na classe ou categoria mais elevada, destituída de funções de natureza jurídica ou judicial.

Criação de Juizados de Instrução

O texto da PEC 89 define que os juizados de instrução e garantias são órgãos do Poder Judiciário, providos por juízes de instrução e garantias, incumbidos da instrução probatória e do controle judicial dos procedimentos investigatórios criminais.

Toda pessoa presa em flagrante deverá ser apresentada sem demora ao juiz de instrução e garantias para realização de audiência de custódia, com a participação da defesa e do Ministério Público, em que se decidirá sobre a prisão e as medidas cautelares cabíveis.

Caberá aos juízes de instrução e garantias determinar a instauração de procedimentos investigatórios e deferir, de ofício ou a requerimento das partes, as diligências e medidas cautelares que impliquem em restrição a direito ou a liberdade.

Lei Federal disporá sobre os juizados de instrução, fixará suas atribuições e estabelecerá normas gerais de seu funcionamento.

***

Como se vê, a Proposta de Emenda Constitucional 89/2015 propõe mudanças significativas no modelo das polícias brasileiras, ao tempo em que preocupa-se com os interesses das categorias envolvidas (principal motivo de boicote às demais propostas).

Salvo a situação da carreira única da Polícia Federal, não parece haver resistências conhecidas à medida. Fiquemos atentos aos desdobramentos.


Fonte:  Abordagem Policial

sábado, 25 de julho de 2015

O BLOG ESPAÇO MILITAR PARABENIZA O 1º SARGENTO BM TORRES PELO TRANSCURSO DO SEU ANIVERSÁRIO.



O blog Espaço Militar parabeniza o 1º Sargento BM Torres pelo transcurso do seu aniversário neste sábado, dia 25, rogando a Deus que o abençoe cada vez mais, dando-lhe muita paz, saúde, prosperidade e alegria ao lado dos seus familiares e amigos.

Prestamos esta singela homenagem ao amigo:

Que a sua caminhada seja de muita luz, que a alegria seja o adubo de sua vida e que a felicidade reine sempre no seu coração. Que Deus o proteja e abençoe sempre. Que o sorriso e a fraternidade sejam um elo de amor em sua jornada, edificando seus passos e os tornando visíveis e alcançáveis.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

VIATURA DO GATI SOFRE ACIDENTE NO MUNICÍPIO DE CAPELA.

Foto:  Sandoval Notícias

No final da tarde desta sexta-feira, dia 24, uma viatura do GATI (Grupo de Ações Táticas do Interior) estava em perseguição a motoqueiros suspeitos de prática de delito em uma estrada de chão no município de Capela, quando ao desviar de um animal, veio a sair da pista e tombar.

Os policiais militares que estavam na viatura passam bem, ocorrendo somente danos materiais.

Com informações de Sandoval Notícias

O CRUEL TREINAMENTO MILITAR QUE DETONA OS POLICIAIS DO BRASIL.

Para especialistas, rotina de assédio moral e abusos se reflete nos desvios nas ruas


“Bora, bora, você é um bicho. Você é um jumento, seu gordo!” O ex-soldado Darlan Menezes Abrantes imita a fala dos oficiais que o instruíam na academia quando ingressou na Polícia Militar do Ceará, em fevereiro de 2001. “Às vezes, era hora do almoço e os superiores ficavam no meu ouvido gritando que eu era um monstro, um parasita. Parecia que tava adestrando um cachorro. O soldado é treinado pra ter medo de oficial e só. O treinamento era só mexer com o emocional, era pro cara sair do quartel igual a um pitbull, doido pra morder as pessoas. Como é que eu vou servir a sociedade desse jeito? É ridículo. O policial tem que treinar o raciocínio rápido, a capacidade de tomar decisões. Hoje se treina um policial parece que está treinando um cachorro pra uma rinha de rua”, reflete.

Darlan lembra sem saudade dos sete meses passados no extinto Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM cearense. “Sempre que um professor faltava, éramos obrigados a fazer faxina em todo o quartel. E o pior: quem reclamava podia ficar preso o fim de semana todo. A hierarquia fica acima de tudo no militarismo. O treinamento era só aquela coisa da ordem unida, ficar o dia inteiro marchando debaixo do sol quente. Lá dentro é um sistema feudal, você tem os oficiais que podem tudo e os soldados que abaixam a cabeça e pronto, acabou. Você é treinado só pra ter medo de oficial, só isso. O soldado que vê o oficial, mesmo de folga, se treme de medo”, diz.

Enquanto era policial, Darlan estudava Teologia no Seminário Teológico Batista do Ceará e Filosofia na UECE (Universidade Estadual do Ceará). O ex-soldado conta que passou a questionar algumas ordens e instruções enquanto frequentava a academia e logo ganhou um apelido: “Mazela”, uma gíria mais comum no Nordeste do Brasil para uma pessoa mole, preguiçosa. Pouco a pouco se espalhava entre a tropa a ideia de que os questionamentos do “Mazela” eram fruto de uma pura preguiça com relação aos exercícios militares.

“Fiquei com essa fama no quartel”, afirma. “É uma lavagem cerebral. O militarismo é uma espécie de religião que cria fanáticos. Ordem unida, leis militares, os regimentos e tal, aqueles gritos de guerra. Essas coisinhas bestas que os policiais vão aprendendo, como arrumar direito a farda. Você pode ser preso se não tiver com um gorro ou chapéu na cabeça. Essas coisas que só atrapalham a vida dos policiais. Às vezes eu pegava um ônibus superlotado, chegava com a farda amassada e ficava sexta, sábado e domingo preso. Você imagina? Por causa de uma besteira dessas? Isso é ridículo”, exclama. “E isso é antes e depois do treinamento: se você for hoje na cavalaria da PM de Fortaleza você vai ver policial capinando, pegando bosta de cavalo, varrendo chão, lavando carro de coronel, abrindo porta para os semideuses. Eu nunca concordei com isso e fiquei com fama de preguiçoso”, diz.

O assédio moral é a regra na formação do PM em cursos de curta duração que tem como preocupação principal imprimir a cultura militar no futuro soldado; com pouco aprendizado teórico em temas como direito penal, constitucional e direitos humanos; além da sujeição a regulamentos disciplinares rígidos. É o que constatou a pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública” publicada em 2014 pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas (CPJA), da Escola de Direito da FGV de São Paulo, e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Veja o infográfico abaixo). Foram ouvidos mais de 21 mil profissionais de segurança pública (entre policiais civis, militares, rodoviários federais, agentes da polícia científica, peritos criminais e bombeiros) de todas as unidades da federação, mais da metade deles policiais militares, sobretudo praças (policiais de patentes mais baixas). Destes, 82,7% afirmaram ter formação máxima de um ano antes de exercer a função, 38,8% afirmaram que já foram vítima de tortura física ou psicológica no treinamento ou fora dele e 64,4% disseram ter sido humilhados ou desrespeitados por superiores hierárquicos. 98,2% de todos os profissionais (incluindo profissionais de outras áreas) que responderam a pesquisa afirmaram que a formação e o treinamento deficientes são fatores muito importantes para entender a dificuldade do trabalho policial.


Apesar dos números alarmantes, o tema ainda é pouco discutido dentro das corporação e fora dela. Em vários estados, os regimentos internos das polícias militares proíbem expressamente que os policiais se manifestem a respeito da própria profissão. Eles também dizem ter pouco espaço para denunciar as violações sofridas por eles no dia a dia - a estrutura fechada e hierárquica do militarismo dá pouca brechas para denúncias ou críticas dos policiais com relação à própria formação, principalmente fora dos quartéis. Mesmo que essas denúncias se refiram ao descumprimento de direitos humanos primordiais

Lição de tortura

A institucionalização de violações de direitos humanos dentro da PM na formação e treinamentos dos seus integrantes reflete-se diretamente na maneira como reagem no cotidiano com a população. Um relato exemplar está no relatório final da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, em que o sociólogo e ex-secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Soares, afirmou em depoimento concedido no dia 28 de novembro de 2013: “O BOPE oferecia, até 2006, aulas de tortura, 2006! Aulas de tortura! Não estou me referindo, portanto, apenas às veleidades ideológicas (...), nós estamos falando de procedimentos institucionais”, afirmou.

Foi a essa realidade que o então recruta Rodrigo Nogueira Batista, egresso da Marinha, foi apresentado ao participar das Operações Verão nas Praias dois meses depois de ingressar na PM, descritas por ele como uma espécie de estágio que os recrutas fazem com policiais mais antigos nas praias nobres da capital fluminense - Ipanema, Copacabana, Barra da Tijuca, Botafogo, Recreio.

O ex-soldado da PM Rodrigo Nogueira, preso em Bangu 6 desde 2009. / BEL PEDROSA

“A minha turma partiu pro estágio com dois meses de CFAP, dois meses dentro do CFAP tendo meio expediente e depois rua. Lá fomos nós de cassetete, shortinho e camisa da Polícia Militar, isso pra população ver aquele monte de recruta passando para poder dar o que eles chamam de 'sensação de segurança pra população'”, relembra. “Eles colocam o policial antigo armado e dois ou três ‘bolas-de-ferro’, como eles chamam os recrutas, justamente por dificultar a movimentação do policial antigo. A gente chegava e o antigo ficava angustiado com a nossa presença porque queria pegar dinheiro do flanelinha, do cara que vende mate, da padaria e quando ele ia no português comer alguma coisa tinha que dividir com os “bolas-de-ferro”’, lembra. Na rua: “a barbárie imperava: pivete roubando, maconheiro… Tudo que tu imaginar. Quando caía na mão era só porrada, porrada, porrada, gás de pimenta, muito gás de pimenta. Foi ali que eu tive contato com as técnicas de tortura que a Polícia Militar procede aí em várias ocasiões”, afirma.

“Você vê agora o caso do Amarildo", comenta. "Aqueles policiais que participaram do caso Amarildo, pelo menos de acordo com o que o inquérito está investigando, estão fazendo as mesmas práticas que eu já fazia, que o meu recrutamento já fazia, que outros fizeram bem antes de mim e que já vem de muitos anos. Vem de uma cultura”, analisa.

Entrevistamos Rodrigo em Bangu 6, o presídio destinado a ex-policiais, bombeiros, milicianos, agentes penitenciários dentro do complexo penitenciário carioca. Condenado a 30 anos de reclusão, somando-se as penas recebidas na esfera civil e militar, ele falou com a Pública numa salinha apertada dentro da penitenciária. Rodrigo é autor de Como Nascem os Monstros (Editora Topbooks), um catatau de mais de 600 páginas onde descreve o que considera o processo de "perversão" a que são submetidos os jovens na corporação e que o teria levado a ser condenado por crimes como tentativa de homicídio triplamente qualificado, furto, extorsão e atentado violento ao pudor (ele nega ter cometido os crimes pelos quais foi condenado, mas afirma que não é inocente e que já cometeu outras arbitrariedades quando PM).

"Morto por "suga"

Paulo Aparecido dos Santos. / REPRODUÇÃO JORNAL EXTRA

A ênfase excessiva na preparação física nos cursos de formação já resultou até em mortes. O caso mais recente talvez tenha sido o do ex-recruta da PM Paulo Aparecido dos Santos, de 27 anos, morto em novembro de 2013 após uma sessão de treinamentos no CFAP (Centro de Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar) do Rio de Janeiro. Paulo morreu após uma “suga”, gíria dos policiais cariocas para as sessões de treinamentos físicos que levam os recrutas até o esgotamento físico.

Durante a sessão, segundo os relatos de outros recrutas ouvidos pelo repórter Rafael Soares do jornal Extra, quem não conseguia acompanhar o ritmo da sessão de treinamentos físicos era obrigado a sentar no asfalto quente - naquele dia fez mais de 40 graus no bairro de Sulacap, zona oeste do Rio, onde está localizado o CFAP - ou submetido a choques térmicos com água gelada.

No mesmo dia em que Paulo morreu, outros 32 alunos precisaram de atendimento médico - 18 com queimaduras nas nádegas ou nas mãos. Oito oficiais foram denunciados pelo Ministério Público pela morte de Paulo. O caso ainda tramita na Justiça Militar.

Em 2012, três batalhões de Curitiba foram denunciados por excessos relacionados à formação dos recrutas. O roteiro é o mesmo: verdadeiras sessões de tortura física e psicológica, castigos, punições rigorosas. Há até uma acusação de assédio sexual (segundo a denúncia, um cabo teria beijado uma recruta à força).

“Por exemplo, um pivete roubou uma coisa de um turista e correu. O policial corre atrás do pivete e pega o pivete. Quando ele consegue chegar no pivete, ele já jogou o que ele roubou fora, e ele é menor de idade, não pode ser encaminhado para a delegacia. Porra, mas o policial sabe que ele roubou. Aí entra o revanchismo, a hora da vingança. Primeiro lugarzinho separado que tiver (cabine, atrás de um prédio, dentro dos postos do guarda-vidas) é a hora da válvula de escape”, resume. E como é orientado o recruta antes de ir para rua? “Uma das instruções que os oficiais davam antes do efetivo sair pro policiamento era: ‘olha, vocês podem fazer o que vocês quiserem, pega o pivete, bate, quebra o cassetete, dá porrada no flanelinha. Só não deixa ninguém filmar e nem tirar foto. O resto é com a gente. Cuidado em quem vocês vão bater, cuidado com o que vocês vão fazer e tchau e benção’”, relata. "O camarada começa a ver um pivete levando choque, spray de pimenta no ânus, no escroto, dentro da boca e não sente pena nenhuma. Pelo contrário, ele ri, acha engraçado. E tem um motivo: se nesse momento que o mais antigo pegou o pivete e começa a fazer isso, se você ficar sentido, comovido por aquela prática, pode ter certeza que vai virar comédia no batalhão, vai ser tido como fraco. Vai ser tido como inapto para o serviço policial”, afirma.

Segundo ele, quem demonstra “fraqueza” ou “covardia” num momento como esse começa lentamente a ser destacado e afastado das funções de “linha de frente” da corporação. “Se você é duro, você vai trabalhar na patrulha, no GAT (Grupamento de Ações Táticas), na Patamo (Patrulhamento Tático Móvel)…Agora você que é mais sensato, que não vai se permitir determinadas coisas, não tem condições de você trabalhar nos serviços mais importantes. Não tem como o camarada sentar no GAT se não estiver disposto a matar ninguém. Não tem como. E não é matar só o cara que tá com a arma na mão ali, é matar alguém porque a guarnição chega a essa conclusão: ‘Não, aquele cara ali a gente tem que matar’. Aí é cerol mesmo”, garante.

Essa disposição pra matar na “linha de frente” relatada por Rodrigo se traduz em casos reais ocorridos com as PMs. Em um áudio revelado pelo repórter Luís Adorno, da Ponte, o 1º tenente da Rota - as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite da PM paulista - Guilherme Derrite afirma: “A polícia tá como sempre, né, querendo reduzir a letalidade policial. Então os tenentes, principalmente os oficiais, mas também cabos e soldados que nos últimos cinco anos se envolveram em três ocorrências ou mais que tenham resultado em evento morte do criminoso estão sendo movimentados. Até eu que estou fora da rua há dois anos me encaixo nessa lista. Porque pro camarada trabalhar cinco anos na rua e não ter ma… três ocorrências, na minha opinião, é vergonhoso né?”

Sim senhor, Não senhor

A cultura de violência nasce com a desumanização do próprio PM já na formação, relatam os entrevistados. “O soldado da polícia militar não tem direito nenhum. A gente tem que dormir em alojamentos sujos, caindo aos pedaços. Cada um tinha que trazer a sua rede pra dormir no alojamento. Os colegas casados que fizeram o treinamento passaram muita dificuldades porque passamos três meses sem receber salário. O soldado só tem direito de dizer sim senhor e não senhor e de marchar o tempo todo”, resume o ex-soldado Darlan Menezes Abrantes. “Como uma polícia antidemocrática vai cuidar de uma sociedade democrática?”, pergunta.

Darlan Menezes Abrantes.

Autor de um livro intitulado Militarismo: um sistema arcaico de segurança pública (Editora Premius), Darlan foi expulso da polícia cearense em janeiro de 2014, após 13 anos de PM. O que causou a expulsão, segundo ele, foi o livro. “Eu fui pra algumas universidades aqui de Fortaleza distribuir o livro e fiquei do lado de fora da Academia, eu fui interrogado e eu fiquei impedido de trabalhar na rua”, conta.

No capítulo 11 do livro de Darlan, há algumas frases anônimas ditas por seus colegas a respeito da PM. “Os oficiais são uns sanguessugas”, diz uma das frases; “a PM é a polícia mais covarde que existe, pois só prende pobre”, afirma outra. “No meu interrogatório, eles queriam que eu dissesse o nome de cada policial que falou as frases, pra cada policial ser punido. A minha advogada alegou sigilo da fonte, igual vocês jornalistas têm. Em outra sessão, nessa época que eu tava respondendo o processo, eu tentei argumentar com um capitão. ‘Não, capitão, é meu direito escrever o livro’. Ele ironicamente pegou uma folha de papel em branco e jogou na minha frente, dizendo: ‘Aqui, os seus direitos’”, diz.

A PM cearense alegou que a expulsão se baseava em vários artigos do Código Disciplinar e do Código Penal Militar e que a conduta do ex-soldado iam de encontro ao pudor e decoro da classe. Em São Paulo e no Ceará, é proibido ao policial “publicar, divulgar ou contribuir para a divulgação irrestrita de fatos, documentos ou assuntos administrativos ou técnicos de natureza policial, militar ou judiciária que possam concorrer para o desprestígio da Corporação Militar”. Darlan denunciou sua expulsão ao Ministério Público do Ceará e entrou com uma ação de reintegração na Justiça ainda não julgada. Procurada pela Pública, a PM cearense não quis explicar o motivo da expulsão de Darlan nem comentar as declarações dele.

Regulamentos "obsoletos e antidemocráticos”

"Imagina um professor que não pode falar de educação ou um médico que não pode falar de saúde. Em muitos estados, o policial não pode falar de segurança pública”, afirma o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ. Ele é autor de um estudo que analisou os "manuais de conduta" dos PMs com o objetivo de comparar os códigos e legislações disciplinares das corporações de segurança pública no Brasil.

“Os regulamentos disciplinares da PM são obsoletos, antidemocráticos, muitos deles pré-constitucionais", define o sociólogo. "Eles foram criados para garantir a hierarquia e a disciplina dentro da corporação e a imagem da corporação, não foram feitos para proteger nem a população e nem o policial”, afirma o professor. "A maior parte da formação na PM é para o policial aprender normas, tanto as leis quanto as normas internas da corporação, e correr pra cima e pra baixo pra ficar em forma. A educação física não é dada com um propósito de saúde do trabalho, ela também está nessa lógica da disciplina. O que alguns especialistas e membros da polícia dizem que, implicitamente, esses artigos abusivos foram derrubados com a Constituição. O fato é que o diploma legal continua vigente”, diz.

Segundo seu estudo, ao menos dez unidades da federação possuem regulamentos anteriores à Constituição, inspirados no Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). Alguns Estados até adotam diretamente o RDE como regulamento nas polícias militares. Isso foi determinado à partir de um decreto da ditadura, o Decreto-Lei 667, de 2 de julho de 1969. O artigo 18 do decreto estabelece que: “As Polícias Militares serão regidas por Regulamento Disciplinar redigido à semelhança do Regulamento Disciplinar do Exército e adaptado às condições especiais de cada Corporação”.

“Nos regulamentos que nós analisamos, nós vimos casos extremos neste estudo, como regulamentos que estipulam que, se um policial em posição superior bater num policial de nível inferior para obrigar a cumprir uma ordem, então não tem problema, é uma coisa normal. Esse é um dos casos mais extremos”, afirma Ignacio Cano. Ele cita outros abusos, decorrentes do excesso de regulação. “Há todo um moralismo especial sobre o policial que regula até a vida privada dele. Ele não pode fazer coisas que a maioria dos mortais fazem: se embebedar, contar uma mentira, contrair dívidas. Ele pode ser punido por essas coisas. Isso cria uma visão de super-homem moral que não existe, isso sujeita os policiais a riscos permanentes de punição por condutas que a maioria dos brasileiros fazem”, explica.

Há vários exemplos dessa regulação da vida privada dos policiais. No Espírito Santo, segundo o regulamento, é proibido aos policiais “manter relacionamento íntimo não recomendável ou socialmente reprovável, com superiores, pares, subordinados ou civis”. No Amazonas, é vedado ao policial “falar, habitualmente, língua estrangeira, em estacionamento ou organização policial militar, exceto quando o cargo ocupado pelo policial militar o exigir”. Em nove Estados, constitui uma transgressão disciplinar o policial “contrair dívidas ou assumir compromissos superiores às suas possibilidades, comprometendo o bom nome da classe”.

A hierarquia é o valor supremo nos manuais das PMs. Os regulamentos disciplinares das polícias de Alagoas e Mato Grossoproíbem: “sentar-se a praça, em público, à mesa em que estiver oficial ou vice-versa, salvo em solenidades, festividades, ou reuniões sociais”. Em outros sete Estados, é uma transgressão disciplinar o policial que está sentado deixar de oferecer seu lugar a um superior. Só nove Estados classificam as transgressões tipificadas nas categorias comuns (Leve, Média, Grave e Gravíssima); nos demais fica a cargo do superior estipular a gravidade da transgressão.

“Os direitos humanos dos policiais são lesados frequentemente com esses regulamentos. E aí nós queremos que eles respeitem os direitos humanos dos cidadãos quando eles como seres humanos e trabalhadores não têm os seus direitos respeitados”, observa Cano. “Quando você trata o policial de uma forma autoritária e arbitrária, o que você está promovendo é que ele trate o cidadão da mesma forma. Ele tende a descontar no cidadão a repressão que ele sofre no quartel. Ele tende a ser autoritário, arbitrário, impositivo. Ele não tem diálogo no quartel, por que ele vai dar espaço pra isso com o cidadão? Ele tende a esperar do cidadão a mesma moral que a dele”, argumenta o sociólogo.

Os policiais mais estressados são os que mais usam a força: https://youtu.be/NxiX-xwomNk

Principal nome à frente do site Rede Democrática PMBM, o primeiro sargento da Polícia Militar do Distrito Federal Roner Gama é um exemplo da restrição da corporação à liberdade de expressão de seus integrantes. “Essa carga negativa da ditadura se reflete em procedimentos internos punitivos que existem ainda hoje. O policial, por exemplo, não pode manifestar na rede social sobre certos aspectos internos da corporação sob o risco de responder. Eu mesmo estou respondendo a diversos inquéritos e sindicâncias por me expressar ali naquele site. Hoje mesmo eu vou na Corregedoria responder por um comentário que alguém fez no site. É uma coisa chata, constrangedora. A PM é a única instituição do país em que o agente não pode questionar o seu superior. Um servidor público não pode questionar procedimentos internos? É algo fora do contexto que vivemos. É totalmente absurdo”, afirma.

Com mais de 20 anos de experiência dentro das academias de polícia brasileiras e latino-americanas, a antropóloga e professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, afirma: "No Brasil, nós temos uma lógica aristocrática pautada em privilégios que perverte o sentido da hierarquia e da disciplina. É um abuso de poder continuado, como acontece com regulamentos disciplinares caducos e inconstitucionais”, analisa.

“Os próprios policiais dizem nas ruas e nas minhas pesquisas que a motivação deles é a punição. Isso reflete ambientes de pouca cidadania, transparência, de poucos reconhecimentos dos direitos constitucionais de um dos principais atores da democracia. O policial é quem faz valer a Constituição na esquina, não é o Rex que late e abana o rabo. Ele não tem que cortar grama do superior hierárquico, virar motorista da esposa do coronel, servir cafezinho, ceder lugar na fila do cinema pro superior. Essa cultura faz com que o policial se sinta inseguro na rua justamente por uma insegurança institucional e um policial inseguro é pior do que um policial mal pago. Ele se vê o tempo todo com medo de ser punido. Os policiais sempre dizem: ‘se eu faço demais eu sou punido, se eu faço de menos eu sou punido, se eu não faço, eu sou punido’. Faltam parâmetros de aferição qualificada para o trabalho policial e isso ainda depende de nós instituirmos um processo formativo profissional pras polícias”, analisa.

“Polícia não se improvisa. Um policial experiente custa muito caro à sociedade, ele não pode ser substituído porque morreu ou porque se acidentou”, conclui a antropóloga.

‘Eu já cai no chão paraplégico’

Imagem do treinamento de abordagem que deixou Saul Humberto Martins paraplégico.

Em 1989, Saul Humberto Martins, hoje beirando os 50 anos, sonhava em entrar na Polícia Militar do Distrito Federal. Ele diz que achava a profissão bonita, que via muitas coisas ruins nas ruas e achava que podia contribuir como policial. Saul entrou na corporação por concurso, tornou-se cabo da PM e trabalhou como policial por 18 anos até ser atingido por um tiro acidental durante uma instrução, em abril de 2008, que o fez ficar paraplégico.

“Aquele dia estava tendo um curso de Radiopatrulhamento que tinha começado. Eu não fazia parte do curso, tava em outra área, mas me pediram pra dar um apoio. E eu fui”, relembra. No curso, voltado a policiais com mais de dez anos de polícia, Saul deveria simular que era um criminoso e, em várias situações, tentar tomar a arma das mãos de outro policial. Ele então tirou o colete balístico que usava para ter mais mobilidade e para representar o papel de “meliante”.

Antes do treinamento, todos os participantes eram orientados a descarregar suas armas. Porém, durante a instrução, um soldado participante do curso disse que estava com dor de cabeça e quis deixar o quartel para ir à farmácia. Ele saiu do local, carregou a arma e colocou na cintura e foi de viatura comprar remédio. Quando retornou, o soldado esqueceu da arma carregada. “Assim que ele chegou, um oficial entrou na parte de trás do carro e falou pro soldado: ‘vamo que agora é a vez de vocês fazerem a abordagem’. Eles entraram no local da instrução, que era um local fechado. Quando eles entraram, o oficial orientou: ‘aborda aquele pessoal lá’”, afirma. Na simulação, Saul foi orientado a reagir à abordagem. Quando ele reagiu, o soldado que tinha saído disparou a arma carregada.

“O tiro pegou na minha omoplata, perfurou o pulmão, a coluna e se alojou na minha medula. Eu já cai no chão paraplégico”, diz. Saul ficou um mês internado no Hospital Regional de Taguatinga. A corregedoria da PM do Distrito Federal condenou o oficial instrutor do curso e o soldado que disparou a arma a nove meses de prisão (convertidos em serviços comunitários), mas seguem na corporação. Saul, que hoje é pastor evangélico, ainda pleiteia sua indenização na Justiça.

“Quem tava dando a instrução no dia do meu acidente não era instrutor. Simplesmente porque ele era oficial ele tava lá dando a instrução, mas ele não tinha preparo pra dar aquela instrução. Depois do meu acidente houve vários outros casos. Teve um colega meu que não foi bem orientado numa instrução de tiro, ele disparou, a cápsula bateu no olho dele e ele saiu de lá cego. Teve outro que levou um tiro no joelho e teve que amputar a perna. Teve o caso do sargento Silva Barros que morreu lá no Guará, que recebeu um tiro dentro do Quarto Batalhão de Polícia Militar. Teve até um instrutor do Bope que morreu também.”, relembra. “Nós precisamos de instrutores mais bem preparados. Temos bons instrutores, mas o problema é que eles querem colocar os oficiais piás na instrução só porque são oficiais. Tem muito sargento bom de instrução que não pode virar instrutor, porque eles querem ter esse privilégio. Puramente pela hierarquia”, reflete.

Sobre o treinamento em si, Saul critica o foco excessivo nos treinamentos de ordem unida. “O cara fica dentro da academia e 50% do curso é pra aprender militarismo. Precisamos de um treinamento mais técnico e profissional. O policial tem que ter mais treinamento de tiro, pra ele saber atirar, não pra matar ninguém, mas pra saber atirar quando for necessário”, opina.

A Pública tentou contato com alguns dos policiais acidentados no Distrito Federal, mas eles se recusaram a falar. Em nota, a PMDF afirmou que “faz treinamentos constantes com o objetivo de cada vez mais aprimorar e atualizar o seu pessoal, e esses treinamentos são realizados com armamento de fogo para simular reais situações de perigo e ação dos policiais”. "Todas as medidas de cuidado são tomadas, mas infelizmente acidentes acontecem, não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo, e além do mais, a PMDF tem um dos menores índices de acidentes que causem graves lesões ao até mesmo a morte de nossos policiais”, conclui a nota.

Cultura da ditadura

“Nosso sistema de segurança pública traz ainda muita coisa da época da ditadura, inclusive a formação”, afirma o cabo da PM de Santa Catarina Elisandro Lotin, presidente da Associação Nacional de Praças da Polícia Militar (Anaspra). "Nós já fizemos inúmeras denúncias. Recentemente, aqui em Santa Catarina tinha uma academia de polícia com 200 mulheres e elas foram obrigadas a ficar em posição de apoio e fazer flexões no asfalto quente às três horas da tarde, várias delas ficaram com queimaduras nas mãos. Aí você vai chegar nelas e dizer pra elas defenderem a sociedade?”, questiona.“Vanderlei Ribeiro, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (Aspra) desde 2008, atribui o "amadorismo" da formação à "cultura" da PM. “Nós somos mal formados, mal preparados e induzidos a erro pela cultura militarista que existe nas polícias militares de todo o Brasil. A formação impõe desde o início um comportamento autoritário que vai se refletir na população. A cultura militar é perversa, ela não prepara o PM para compreender que ele tem um compromisso social com a sociedade. A escola de polícia não tem qualificação nenhuma e não prepara ninguém pra atuar na rua. A formação é agressiva, não respeita os direitos humanos, é arrogante, autoritária e o policial só sabe agir da mesma forma quando sai da academia”, avalia.

Para o sargento Leonel Lucas, membro da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho, entidade dos praças da Brigada gaúcha (Abamf), não só o treinamento dos praças precisa melhorar. “Infelizmente, nós temos ainda alguns capitães Nascimento dando instrução nos cursos de formação dos praças. É por isso que eu acho que a primeira coisa que tem que ser mudada é a formação acadêmica dos oficiais superiores, quando a gente mudar a cabeça de quem tá nos formando lá em cima e os oficiais superiores começarem a receber uma formação mais humanista, isso vai se refletir pra quem está nas patentes mais baixas.”

Academia não forma para direitos humanos

Autor de uma tese de mestrado em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, o tenente-coronel Adilson Paes de Souza - 30 anos de serviço, hoje na reservar - analisou o peso da disciplina de Direitos Humanos no curriculo da Academia de Polícia Militar do Barro Branco, escola de oficiais da PM paulista.

Segundo a dissertação de Adilson, só em 1994 a disciplina de Direitos Humanos apareceu no currículo do Barro Branco e, desde a sua inclusão, a disciplina nunca passou dos 2% do total de horas-aula oferecido nos cursos de formação. Em 2013, último ano coberto pela pesquisa de Adilson, a disciplina de Direitos Humanos representou só 1,4% do total de horas-aula do curso (90 horas aula em um total de mais de 6.000 horas de curso); hoje é ainda menor, foi reduzida para 41 horas-aula.

Adilson critica também o conteúdo geral dos cursos de formação. “Não é dada sequer uma pincelada do quadro social que nós vivemos de desigualdade, pobreza, exclusão. É nessa realidade que o policial vai trabalhar. Quando se fala da questão racial, o policial tem que entender o mecanismo histórico que produz a desigualdade racial até mesmo para que ele não reproduza de maneira inconsciente essas mesmas opressões no dia a dia. E essa é a queixa feita sobre a Polícia Militar na periferia: o viés extremamente racista”, exemplifica.

Para a antropóloga Jacqueline Muniz, da UFF, a partir do final dos anos 1980 algumas academias se abriram para outras áreas de forma positiva o que inspirou a criação da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (Renaesp), em 2003, que repassa recursos para cursos de especialização para as polícias em universidades de todo o país. "Qualificando os gestores e operadores de segurança pública e pesquisadores foi possível dar um salto de qualidade na elaboração de diagnósticos e iniciativas que subsidiassem políticas públicas”, destaca. Ela também considera importante a criação daMatriz Curricular do Ministério da Justiça (um documento de referência às polícias militares e civis brasileiras para a elaboração das grades curriculares de cada Estado), e a criação do Fundo Nacional de Segurança Pública, com recursos vinculados ao planejamento das atividades. “Antes do Fundo a tradição era só de compra de armamento, viatura e munição. Então o policial ganhava um armamento novo, mas desconhecia completamente o que é a logística policial e o diálogo entre os armamentos para fazer uso gradual, qualificado e comedido da força.”

Os avanços, porém, estão restritos a alguns Estados, observa Jaqueline Muniz. "Ainda não produzimos uma espécie de ‘esperanto’, de linguagem comum entre as polícias que favoreça a transparência, a profissionalização, a integração e o controle social sobre as práticas de ensino na polícia”, conclui.

A mudança não é fácil como experimentou na prática César Barreira, professor titular de Sociologia da Universidade Federal do Ceará e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV). Em 2011 o sociólogo implantou a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará, com uma proposta de formação integrada de todos os profissionais de segurança pública - à exceção dos agentes penitenciários. “Eu avalio essa experiência como muito positiva. Houve uma mistura do ambiente policial com o acadêmico, a parte técnica era dada pelos especialistas em segurança pública e a parte humanística era ensinada por professores doutores”, exemplifica. Ele usa os verbos no passado porque um ano e três meses depois do início da experiência, ele foi exonerado pelo secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Francisco Bezerra. "Claramente essa minha proposta não foi muito bem recebida por todos. Os soldados, os policiais da Polícia Civil e a Polícia Forense receberam bem, parte dos oficiais da PM é que não receberam. Não sei se essas ideias vão continuar porque você sabe que um sociólogo à frente de uma academia de polícia é diferente de um tenente-coronel”, finaliza.

Outra tentativa é o Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP), uma instituição de ensino superior credenciada no MEC, criada pela Polícia Militar do Distrito Federal que oferece dois cursos de graduação (bacharelado em Ciências Policiais e tecnólogo em Segurança Pública) e cursos de pós-graduação lato sensu. “A ideia é oferecer um curso amplo para formar profissionais de gestão em segurança pública. Aqui no Brasil é o primeiro instituto desse tipo. No Chile, pra você ter uma ideia, existe um instituto semelhante desde 1939”, diz o coronel Sousa Lima, coordenador do Departamento de Educação da PMDF e reitor do ISCP. “Também temos uma pró-reitoria de pesquisa para fornecer apoio acadêmico à realidade do policial. Quem vai estudar qual o melhor equipamento pro policial não se aposentar com problemas na coluna? Quem vai estudar que arma o policial usa pra fazer menos dano? Quem vai estudar que munição ele vai estudar? A gente resolveu estudar a gente mesmo porque ninguém tá preocupado com a polícia”, alfineta.

Desmilitarizar é preciso?

Uma questão divide opiniões de policiais e especialistas em segurança pública: é possível oferecer uma formação mais humana e eficiente aos policiais militares sem mexer na natureza militar da PM? Em quase todas as entrevistas feitas para esta reportagem, o tema da desmilitarização das polícias apareceu reanimado pela PEC 51/2013,de autoria do senador Lindbergh Farias (PT-RJ).


A antropóloga Jacqueline Muniz acha que sim. “A estrutura militar em si não limita o efeito do processo formativo para os policiais, o que impede o policial aplicar o que ele aprendeu é o abuso de poder. Há polícias de inspiração militar, como a Gendarmarie, da França, os Carabineri, da Itália, e a Guarda Civil Espanhola que foram democratizadas, têm grau elevado de formação e os direitos e deveres dos policiais são garantidos como cidadãos plenos. E essas polícias são muito bem avaliadas por suas sociedades e têm, inclusive, baixo índice de violência, corrupção e violação”, afirma. O cabo Elisandro Lotin, presidente da Anaspra, vai na mesma linha. “Você pode ter uma polícia militar desde que a atuação dela na rua seja focada na dignidade da pessoa humana, cidadania, desde que desvincule de toda aquela lógica que o Exército ainda insiste em ter de controle das polícias militares: do armamento até a formação, o número de efetivo. A partir dessa desvinculação [do Exército], que não significa desmilitarização, nós podemos ter uma matriz nacional de atuação das polícias militares no Brasil focados em dignidade da pessoa humana, em direitos trabalhistas para os profissionais de segurança pública, códigos de ética e conduta adequados à democracia”, defende.

Já Vanderlei Ribeiro, presidente da associação de praças carioca, discorda. “A estrutura militarista é incompatível com o policiamento ostensivo. Militarismo é pro Exército. Primeiro você tem que mexer na estrutura pra depois você falar em alterar a formação. Não tem outro caminho. Você pode pegar o melhor especialista do país para dar aula para os policiais, só que o que ele vai fazer na rua vai ser diferente do que ele aprendeu lá porque a cultura enraizada não permite outro tipo de comportamento. Aqui no Rio de Janeiro teve vários convênios com ONGs, vários professores universitários foram dar aula lá nos cursos e não mudou em nada porque a questão toda é mi-li-tar. Não adianta o camarada ter aula de sociologia se ele vai chegar na rua e vai matar, se ele é treinado nesse conceito militarista”, avalia. “Não adianta você fazer aula de direitos humanos se a polícia é militar. Quando você vai pra rua o que predomina é a ideia militar, é a lógica militar”, opina o ex-soldado Darlan Menezes Abrantes.

“Nas entrevistas com os policiais para a minha dissertação, uma fala me chamou a atenção. Eles diziam: ‘Nós entramos em serviço e ao entrar em serviço nós entramos em território inimigo. No território inimigo, eu mato ou eu morro. Não me peça para interceder pela vida do inimigo.’ Estudando depois sobre essa fala, eu fui estudar a Doutrina de Segurança Nacional e ela necessita de um inimigo para se fazer presente. Na ditadura, o inimigo era quem? Quem contestava a ditadura. Terminou a redemocratização e essa ideia persiste, hoje o inimigo é quem enfrenta a polícia, quem pratica um delito ou quem vive em determinadas áreas. O discurso de muitas autoridades é o discurso da guerra, de retomar o território do inimigo, de ocupar o morro e devolver para o Estado. É o discurso da Doutrina de Segurança Nacional. Na ponta da linha, o recado chega assim: ‘Lá tem um inimigo, então o aniquile’. Talvez isso explique a letalidade da polícia”, conclui o tenente-coronel Adilson Paes de Souza.

“Quando você vê um soldado policiando, algo já está errado. Ou o camarada é soldado, ou policial. O soldado tem uma premissa que é o quê? Matar o inimigo. Isso aí é o principal. O soldado é formado para eliminar o inimigo e o policial não, pelo menos não deveria”, afirma o ex-soldado da PM Rodrigo Nogueira Batista. “Essa confusão de atribuições entre soldado e policial, elas não se resolvem de maneira fácil. As coisas continuam acontecendo aos olhos de todo mundo e ninguém faz nada. Por exemplo, aquele pessoal que tava voltando de uma festa dentro do HB20 branco e que foram perseguidos por uma patrulha. Não teve um estalinho, uma bombinha, nada que viesse doHB20http://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png pra patrulha e o cara deu 15 tiros de fuzil no carro. Isso só pode acontecer na cabeça de um soldado, na cabeça de um policial não aconteceria nunca. Um policial iria correr atrás, cercar. Mas ele não ia dar tiro em quem não tá dando tiro nele. Só na cabeça do soldado, que acha que tá na guerra e acha que se não atirar primeiro vai levar tiro. O cara foi lá, deu a sirene e o carro acelerou pra fugir da polícia. ‘Ah, é bandido, vou dar tiro’. Podia ser alguém bêbado, podia estar todo mundo fazendo uma suruba dentro do carro, podia ter uma cachaça no carro e o cara estar com medo de ser pego, o cara podia não ter habilitação, o cara podia ser surdo… São milhões de coisas, mas o cara não para pra analisar essas coisas porque ele não foi condicionado pra pensar, a contextualizar o tipo de serviço que ele tá fazendo. Ele foi treinado pra quê? Acelerou, correu, bala!”, analisa o ex-PM, hoje na prisão.

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/21/politica/1437513159_283861.html