“Eu venho denunciando excessos, equívocos, erros e abusos de ministros do Supremo desde abril de 2019. Mas agora a coisa mudou de patamar”, afirmou. Alessandro, que foi relator da CPI do Crime Organizado, disse que a comissão já havia identificado uma relação entre Moraes e Vorcaro e que os novos elementos tornaram essa conexão ainda mais evidente.
“Existe um liame, um laço muito claro entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Essa vinculação, que hoje é escancarada pela imprensa, reforça ainda mais a configuração do chamado crime de responsabilidade e demanda investigação”, declarou.
As novas informações vieram a público após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro e de elementos reunidos pela Polícia Federal. Os registros apontam para interações entre o banqueiro e um contato identificado como Alexandre de Moraes, além de mensagens relacionadas ao contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Nesta terça-feira, o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e determinou que os novos elementos sejam submetidos ao Plenário do STF. A Procuradoria-Geral da República também deverá se manifestar sobre a necessidade de abertura de investigação.
Para Alessandro, os fatos exigem apuração e não podem ser tratados apenas como divergência política. “Você receber um valor astronômico através do escritório da família e funcionar como uma espécie de consultor informal do criminoso, isso é inaceitável para qualquer juiz, que dirá para um ministro”, afirmou.
“Esse cadáver está fedendo”
Em outro momento do pronunciamento, Alessandro recorreu ao livro Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, para fazer uma analogia com os escândalos que, segundo ele, vêm se acumulando no país. “O ministro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, é um cadáver político. Ele se inviabilizou. Não foi a oposição, a situação, o Alessandro ou qualquer outra pessoa. Foi o ministro Alexandre de Moraes, pela sua conduta”, afirmou.
Na sequência, resumiu sua avaliação sobre a crise: “Esse cadáver está fedendo. Ninguém aguenta mais no Brasil essa desmoralização da democracia”. O senador também voltou a defender a instalação de uma CPI específica para investigar as relações entre o Banco Master e integrantes do Judiciário.
Novo pedido de impeachment
Alessandro afirmou que o novo pedido de impeachment será baseado nos fatos revelados agora, somados a elementos que já haviam sido apresentados anteriormente. “Então, novamente, vamos apresentar o pedido de impeachment do ministro Alexandre com base nesses novos fatos, que se juntam a fatos anteriores. E todos eles dizem respeito à conduta pessoal do ministro, não são decisões judiciais”, declarou.
O senador reforçou que pretende cobrar dos demais parlamentares uma resposta institucional diante das novas revelações. “A gente vai cumprir a nossa parte. Vamos cobrar para que os outros senadores também cumpram. Vocês estão acompanhando, sigam cobrando a gente”.
Fonte: Assessoria Parlamentar



























