sábado, 24 de outubro de 2026

SERGIPE EM ALERTA POR DOENÇA RESPIRATÓRIA GRAVE, APONTA FIOCRUZ.


O boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na quinta-feira (22), coloca Sergipe entre os três estados do país com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG, sigla usada pelos pesquisadores para identificar infecções respiratórias que exigem hospitalização) em nível de alerta ou risco, com crescimento na tendência de longo prazo até a Semana Epidemiológica 41, referente ao período de 11 a 17 de outubro.

No cenário nacional, o boletim registra queda na tendência de longo prazo nas últimas seis semanas, com estabilização ou oscilação nas três semanas mais recentes.

Os outros dois estados na mesma situação são Goiás e Mato Grosso. Em Sergipe, o aumento de SRAG tem sido impulsionado pelo metapneumovírus, vírus respiratório que provoca infecções semelhantes às da gripe e afeta especialmente crianças pequenas.

Em Goiás, o crescimento está associado principalmente ao rinovírus, também com maior impacto nos pequenos.

Em Mato Grosso, o aumento tem outra causa: a Covid-19. O boletim aponta ainda outras três unidades da Federação com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Aracaju entre as capitais em alerta

Entre as capitais brasileiras, Aracaju é uma das cinco com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas e crescimento na tendência de longo prazo até a Semana 41. As outras quatro são Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ).

Na capital sergipana, o aumento ocorre especialmente entre crianças pequenas, padrão que se repete em Cuiabá. Em Palmas, a concentração é na faixa de 5 a 14 anos. Em João Pessoa, os adultos de 50 a 64 anos são os mais afetados.

No Rio de Janeiro, o crescimento se distribui entre crianças menores de 2 anos, adolescentes e adultos de 15 a 64 anos.

Outras quatro capitais também estão em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem crescimento na tendência de longo prazo: Belém (PA), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Rio Branco (AC).

Metapneumovírus no Centro-Sul e Nordeste

No panorama nacional, o InfoGripe registra aumento dos casos de SRAG por metapneumovírus, com leve crescimento também nos casos graves por rinovírus e Covid-19.

Os casos graves por Covid-19, porém, permanecem em níveis baixos no país. O metapneumovírus avança principalmente nos estados do Centro-Sul, como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, e no Nordeste, com destaque para Bahia, Pernambuco e Sergipe.

Em relação à Covid-19, há sinais de aumento dos casos graves em Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro. Nos dois últimos, a incidência de SRAG por Covid-19 permanece em patamares muito baixos.

Vacina em dia para grupos de risco

Os pesquisadores do InfoGripe reforçam que, apesar de os casos de SRAG por Covid-19 estarem em níveis baixos na maior parte do país, pessoas dos grupos prioritários devem verificar se estão com as doses de reforço em dia.

Idosos e imunocomprometidos precisam tomar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses. Os demais grupos de risco devem recebê-la uma vez ao ano.

Dados do ano epidemiológico

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,4% de influenza A, 5,3% de influenza B, 12% de vírus sincicial respiratório (VSR), 53,7% de rinovírus e 5,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Entre os óbitos no mesmo período, os percentuais foram de 6,9% de influenza A, 9,8% de influenza B, 8,8% de VSR, 38,2% de rinovírus e 23,5% de Sars-CoV-2.

No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 166.131 casos de SRAG. Desse total, 88.981 (53,6%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 60.426 (36,4%) foram negativos e ao menos 7.416 (4,5%) aguardam resultado.

O boletim alerta que os dados de positividade referentes a semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações nas atualizações seguintes, por conta do fluxo de notificação e do tempo de inserção dos resultados laboratoriais.

Entre os casos positivos do ano, o VSR lidera com 39,4%, seguido por rinovírus (33%), influenza A (15,8%), influenza B (5,5%) e Sars-CoV-2 (3,8%).

Crianças e idosos mais vulneráveis

A incidência e a mortalidade semanal médias nas últimas oito semanas epidemiológicas mostram impacto maior nos extremos das faixas etárias. A incidência de SRAG é mais alta entre crianças de até 2 anos, com rinovírus, VSR e metapneumovírus como principais causas.

Já a mortalidade é mais elevada entre a população a partir de 65 anos, com rinovírus, VSR, influenza A e Covid-19 como agentes predominantes.

O rinovírus também se destaca como principal causa de mortalidade entre as crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 segue baixa em todas as faixas etárias.

(*) Com informações da Fiocruz

Fonte:  NE Notícias (Gilmar Carvalho)

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